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STATUS QUO BRASIL

MATÉRIAS - ENTREVISTA STATUS QUO - REVISTA ROCK BRIGADE

ENTREVISTA À ROCK BRIGADE

Ricardo Franzin

Pois é, e eu entrevistei o Status Quo. Quando eu nasci (algo que, por sinal, também não aconteceu ontem), esses caras já eram dinossauros; hoje em dia, então, algum mais desinformado poderia facilmente supor que eles passam seu tempo livre em confortáveis cadeiras de balanço, tomando o chazinho das cinco e se lembrando com um sorriso no canto da boca da época em que canções como Down Down eram "rock pauleira". Mas, não! Eles decidiram que a idade que conta é a idade do coração, não a do corpo (nossa, hoje eu to foda...), disseram "não" ao asilo e mantêm seu Status Quo mais na ativa do que nunca, fazendo shows pelo mundo e lançando discos relevantes - o mais recente deles, Heavy Traffic. E, grande ironia do destino, lá estava eu no lobby do hotel Caesar Park, sentado frente a frente com dois tiozinhos que você jamais arriscaria dizer tratar-se de músicos de rock. Porém, aqueles dois tipos ali, vestidos como gerentes de banco, eram ninguém menos do que Francis Rossi e Rick Parfitt, guitarristas e vocalistas originais do Status Quo.

Depois de olhar o Steve Harris na capa das RBs que levamos pra ele e dizer que o Iron Maiden tinha sido a primeira banda que despertou interesse musical em seu filho, Francis desandou a falar por que o Status Quo demorou mais de 40 anos para vir tocar no Brasil pela primeira vez. "Eu sempre me perguntei por que nunca tínhamos vindo para cá antes", ele diz. "É um país que tem um público maravilhoso e é claro que nosso interesse era poder conhecê-lo de perto, e não de ouvir outras bandas falando sobre ele. Acho que os maiores problemas sempre foram as gravadoras, os empresários e os agentes, que provavelmente não estavam talando a mesma língua ao mesmo tempo. Resultado: só agora conseguimos estar aqui. Nossa meta sempre foi tocar em todos os lugares possíveis. Infelizmente, não depende de nós. Porém, estamos muito felizes de estar no Brasil, mesmo tendo demorado tanto para conseguirmos."

Rick emenda, falando de sua expectativa sobre o público: "Este é um país latino, como a Espanha e Portugal. E, quando tocamos em lugares como Portugal e Espanha, há uma diferença tremenda entre a platéia desses lugares a as platéias que encontramos no restante da Europa ou nos Estados Unidos. Na maioria das vezes, o público reage aos hits, mas, quando tocamos músicas mais obscuras, ele apenas observa. Nos países latinos, se o público gosta de uma música, não importa se ela é um hit ou não, a resposta é estrondosa." E, indiscutivelmente, um show do Status Quo possui uma penca de hits. "Tentamos colocar todos os hits possíveis na hora e meia de show que dura nosso set", diz Francis. "Tocamos umas quatro ou cinco músicas que não foram grandes sucessos e algumas de Heavy Traffic, mas todo o resto são nossos grandes hits." Rick: "Normalmente, quando lançamos um novo álbum, colocamos duas músicas dele no set da turnê. Essa tem sido nossa política nos últimos 10 ou 12 anos. Não podemos incluir muita coisa nova, pois, com a quantidade de material que temos, nosso set iria ficar com umas sete horas se nos empolgássemos demais [risos]. Entretanto, desta vez, decidimos colocar mais músicas novas porque acreditamos que este álbum seja realmente muito bom. O problema é decidir o que tirar quando injetamos algo novo. Porém, acho que este set que temos agora é bastante poderoso e, além do mais, expressa muito bem qual a identidade musical do Status Quo." E maçante ser obrigado a tocar músicas feitas há mais de 30 anos, uma vez que ninguém vai num show do Status Quo pra ouvir material novo? "De jeito nenhum", manda Francis, com agilidade de pensamento surpreendente. "Mesmo porque é isso que somos. Acho ridícula a atitude dessas bandas que se recusam a tocar seu material antigo. Se os fãs adoram uma banda por causa dessas músicas, são elas que devem ser tocadas. É errado negar-se a fazer o que os seus fãs querem. E, além do mais, ainda achamos fantástico tocar ao vivo músicas como Down Down, mesmo que já o tenhamos feito tantas vezes."

Esse excitamento pela banda é tão genuíno que Francis continua falando sobre como ainda é, depois de tantos anos, a expectativa so-bre um novo trabalho e tudo que gira em torno dele: "Ainda ficamos ansiosos para saber se o nosso disco vai entrar nas paradas, ainda ficamos nervosos quando vamos tocar pela primeira vez em algum país. Heavy Traffic é o melhor álbum que gravamos em 20 anos, por isso, estamos aflitos para que as pessoas dêem uma chance a ele. Mesmo que elas se interessem primeiro pelo Status Quo por causa dos sons antigos, queremos que elas vejam que ainda temos algo novo de qualidade a oferecer. Além do mais, depois de 40 anos na estrada, encontramos a formação perfeita para o grupo

[N. do R.: além de Rossi e Parntt. estão na banda o tecladista Andrew Bown, o baixista John Edwards e o baterista Matthew Letlley. Queremos mostrar isso às pessoas." Tudo isso nos leva à pergunta inevitável: o rock'n'roll fica melhor com a idade? "Em nosso caso. sim", diz Rick, de bate-pronto. "E não só porque temos em Heavy Traffic um bom álbum, mas também porque, ao vivo, nossas velhas canções soam muito melhores hoje em dia. Antes, elas pareciam não ter vida; agora, soam realmente poderosas. O fato de ficarmos velhos não significa que perdemos a energia."

E, sacanagens à parte com a idade avançada dos caras, quem esteve nos shows da banda por aqui pôde corroborar sem maiores esforços essa realidade.

Afinal, os velhinhos arregaçaram!!!



ON STAGE - TEXTO DA REVISTA ROCK BRIGADE 200

STATUS QUO

Credicard Hall, SP/SP (14/2/03)

Esta é a primeira vez que a banda inglesa, Status Quo. se apresenta no Brasil. Fundada em 1965, são 33 álbuns lançados em quase 38 anos de carreira. A primeira surpresa foi constatada em cima do palco: ou seja. a banda fez questão de trazer todo o backline (equipamento de palco) para o Brasil. Eram aproximadamente duas toneladas em instrumentos e equipamentos. Contamos dezoito instrumentos, entre guitarras e contrabaixos, quatro racks com efeitos e periféricos, dez cabeçotes Marshall JCM800 (White Head) da década de 80, seis gabinetes de falantes para guitarra e um gabinete para o contrabaixo, além de teclados Roland D-50, piano Roland e órgão Hammond.

O baterista Matt Letiey usou bateria Remo. pratos da Ziidjian e um set up da Drumcat Electronics. Uma generosa equipe técnica se encarregou de preparar tudo antes do show. Depois dos costumeiros trinta minutos de atraso, uma vinheta de introdução bem legal antecedeu a entrada da banda. Essa trilha, aliás, mais parecia uma vinheta de uma banda de metal, mas, logo que a banda entra, é só rock'n'roll.

Logo de cara, detonaram Caroline, do álbum Hélio (73) e The Wanderer. A segunda surpresa da noite: os caras não param no palco! Estava estampado no rosto deles que tocar Rock'n'roll é puro tesão. Os guitarristas Francis Rossi e Rick Partiff abusaram de riffs básicos, utilizando power chords, e mandaram ver solos energéticos. Depois de 4500 e Rain, do disco Blue For You, de 76, tocaram quatro músicas do mais recente álbum, Heiivy Traffic. Na sequência, mandaram um medley bem legal com músicas próprias da fase setentista e alguns pedaços de covers, como Hound Dog. Uidlle e Who Am l.

O guitarrista Francis é um frontman carismático e responsável por licks incendiários que saem de suas guitarras Telecaster vintages, da Fender.

Já Rick é o homem do ritmo. Ele tem pegada pesada, segura e toca uma guitarra base bem consistente. Ambos se revezam nos vocais, o que sempre foi uma característica marcante da banda.

O baixista John Rhino Edwards (na banda desde 86) é extremamente simpático e se comunica bastante com a plateia.

O polivalente Andy Brown está na banda desde 1976 e, além dos teclados, mandou bem na guitarra base e na gaita.

O baterista Matt Letlley é o mais novo no grupo, já que entrou apenas em 2001.

Depois do animado medley, a banda atacou Gurdundulla, Big Fat Mama, Roll Over Lay Down, Down Down, Whatever You Want e o big hit Rockin'AH Over the Wortd, de John Fogerty. No bis, a banda detonou: Burning Bridges (com algumas citações a Roll Over Beethoven, de Chuck Berry) e Anniversary Waltz, Part l. Por mais que se diga que são veteranos ou dinossauros do rock and roll, isso não importa: eles tocaram com garra e muita atitude.

O público, composto por um misto de "velhos fãs" e gerações posteriores, surpreendeu agitando no melhor estilo "air guitar", cantando as músicas e pulando sem parar. (HH)

 

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